Pote quebrado.
Àgua chora
nos vãos dos cacos.
troncos apodrecidos, trazidos pelas ondas.
Mar. Montanhas. Pedras. Céu.
O homem do violoncelo não veio ontem à noite.
Parece que se perdeu em devaneios,
Reunidos em volta da fogueira, cantamos e dançamos.
Chamamos chuva.
Olho-me no espelho e arrumo a flor
que brota entre os meus cabelos.
De manhã, ela já é uma trepadeira
e cresce pelos meus muros interiores.
Eu sempre esqueço o chapéu.
Espio pelo buraco da fechadura e descubro
a enxadrista trancafiada lá dentro, no alto da torre,
Enquanto o bispo foge com a rainha
montado no cavalo branco.
O rei está nu e se ajoelha diante do peão.
Cabeças rolam pelo tabuleiro.
Sob uma fraca luz amarela
a pianista dedilha acordes de La Violetera.
A poeta declama versos. Joga pérolas aos poucos,
à platéia pétrea.
A moça das sandálias romanas ensaia um dueto com a DJ. Ela, a atriz, pousa o taco sobre a mesa,
Dois prá cá, dois prá lá. Um passo em falso e a valsa é falsa.
Pocahontas aparece vestida para matar. Caras Pálidas.
.
Taças tilintam um brinde para um ano novinho em folha.
nas gavetas do tempo.
OBS. Este poema foi inspirado neste final de ano, entre um Cruzeiro de Natal e o Réveillon em Camburi. Agradeço a todas as pessoas que, sem o saber, participaram dessa collage de imagens poéticas: Eliane ( enxadrista I), Edna, minha amiga querida, Wagner (o “dono da festa”), Sofia (vestida de Pocahontas), Regina (a pianista), Karina (a DJ), Marina ( enxadrista 2), Frederico (o pai), (Paulinha, a bailarina dos sete véus), a moça das sandálias romanas, que se esqueceu de me dar seu cartão, o Kito, com sua presença quase ausência, de tão diáfana. E ainda, ao Philippe, que, mesmo sempre tão longe, é o maestro dos meus insolentes solilóquios.)
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Queridos amigos,
transcrevo, abaixo, um poemito meu, escrito em 2002 e que teve a façanha de ser premiado em Primeiro Lugar, em Concurso realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, no ano passado e, agora, finalmente publicado em uma Antologia Literária, sob o título Revelações do Terceiro Milênio. Thanks ao povo mineiro!!!!Ser poeta premiada em terras de Drummonds e Guimarães, não é pouca coisa, não, geeeennnnteeeee!!!!
Noturno de Chopin para Isis
Nadava nua na piscina gelada, acima da lua, embaixo dos peixes,
entre o nada. O tudo e o agora, um fim em si mesmo.
Uma consternação no peito em flor.
Uma dor. De cotovelo. Um amor quase perfeito. Mais que perfeito.
Um passado. Um presente em transe. Um ser que nada, viria sereia.
Encanta os mares e os navegantes.
Despenteia cabeleireira de santa. Em trânsito.
O último minuto do passado, mais que presente.
O gozo. O vômito da flor do sal. A cobra que se enrola
que ri e mostra os dentes aos viajeiros. Aos cães vadios.
Um noturno quase Chopin. Um breve lá. Um cio.
Um doce beijo — cálido — na fronte da mãe morta.
Da lapela murcha do paletó, cai a flor branca.
O ombro do pai estreito.
A cabeça da filha não cabe mais no seu abraço.
Um desgosto. Um agosto. Um agouro.
Os braços do mouro não cingem mais a cintura fina.
Quase um sino. Um violão. Perfeita.
Sinos de vento brandem ao léu. Leque de papel.
Um quepe. O riso do navegante torto.
O mosqueteiro e seu cavalo manco.
Um rabo de lua minguante. O galo gago, mas triunfante.
A ira diabólica dos demônios em noite de quinta feira. Quiçá santa.
Satânica, despe-se para a lua e sai da àgua.
Bêbada, a deusa Isis ensaia um balé falso,
disritmado e errante.
Formada em Letras pela Unesp de Assis, a autora também é bacharel em Comunicação Social, tendo atuado como repórter, editora e redatora dos principais veículos da Grande Imprensa de São Paulo. Atualmente, dirige a agência Activa Press Comunicação Integrada, o Portal Boi a Pasto e, ainda, a recém criada, Taxi Blue, especializada em marketing e eventos culturais, sociais e ambientais. Tem dois livros publicados, Anjo Descalço e Maestro de Sonhos, ambos de poemas, e se prepara para lançar se primeiro romance, Cartas ao Fantasma da Alameda Santos.
São Paulo, novembro de 2008.
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Lendo Doidas e Santas, livro da poeta e escritora gaúcha Martha Medeiros, que está entre os dez mais vendidos, em lista de não-ficção da Veja, cuja leitura está sendo uma delícia, me deparei com a seguinte definição:”Pessoas com vidas interessantes não têm fricote.Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Esão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor. Compram passagens só de ida”.
Nooooosssssa, então quer dizer que eu sou uma pessoa interessante?
Sim, porquê, dessa lista nada sensata de Martha, eu já fiz quase tudo. Pensando bem, acho que só está faltando comprar uma passagem só de ida. Não que já não tenha pensado nisso, um milhão de vezes. Até agora me faltou coragem. Mas num sei não.
Qualquer dia desses, vcs, meus amigos e leitores que me aturam em todos os meus zilhões de blogs, e que agora, amarrei todos, neste aqui, para trazê-los com rédea curta, terão uma surpresinha.
Fiquem ligados, pois se eu começar um novo texto, dizendo: “hoje vim comprar pão de bicicleta”, provavelmente, estarei escrevendo de Berlim. Talvez, Barcelona, mas Amsterdã, também entra nesse roteiro físico-místico-turístico-cultural-e de quebra – saudável, que estou querendo fazer…provavelmente, eu demore uns quatro meses nessa viagem da lou (cura!!!!). Portanto, não vou comprar a passagem de volta, não é mesmo???
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Não quero ir, não quero ficar. Meu corpo inteiro dói. As horas não passam.
Mastigo dentes, com gosto de raízes do tempo.
Gosto de terra crua. Chão batido.
Um vento uivante e um lobo me espreitam na esquina da rua.
A casa rescende ao cheiro de jasmim.
Mesmo mortas, as pétalas reascendem seu aroma fantasmagórico.
O dia não passa. Arrasto correntes.Estico rugas.
Prendo um sorriso trôpego,
na cara amassada.
Nas orelhas rasgadas, um par de brincos.
Nada. Nenhuma artimanha ou subterfúgio
Resiste as manhas do tempo e seu coelho maluco.
Quebro espelhos e todos os relógios do mundo.
O tempo não pára. Mas também não passa. Se arrasta.
Me arrasto. Fico de quatro. De cócoras.
No quarto escuro que me habita, encontro uma menina desamparada.
Chorando. Sozinha. É a cigana que se perdeu de seu povo.
Não tenho casa, nem endereço, nenhuma morada.
Só o mundo, vasto mundo, por testemunha.
E agora, Drummond, e agora?
Nem prá China eu quero ir mais,
pois lá, também, já não se fazem mais uniformes.
Não quero ir, não quero ficar. Meu corpo inteiro dói. As horas não passam.
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Chegar ao sítio dos meus avós, após um dia inteiro de viagem, era cansativo, mas de uma alegria indescritível. Normalmente, vó Ana ficava espiando a carroça de meu avô apontar lá em cima, na porteira, e, só então, ela saia à frente da casa, vindo ao nosso encontro. O caminho entre a porteira e a casa, parecia o mais longo de todos, tamanha era a nossa ansiedade. E quando vovô parava o cavalo bem à porta, eu era a primeira a saltar, sem jamais dar ouvidos aos gritos de minha mãe: “cuidado, não vá se machucar”. Antes que ela abrisse a boca, eu já estava no chão, de um pulo só. Eu era a primeira a pular no pescoço de minha avó, que nunca correspondia ao abraço excessivo, enchendo-a de beijos. O lenço amarrado à cabeça, acabava escorregando, com os meus arroubos carinhosos, e ela deixava à mostra sua longa cabeleira branca. Ela me ignorava solenemente, e ajudava minha mãe, a descer da carroça, entre incrédula e curiosa para ser apresentada, sem cerimônias, a mais uma neta.
Ou seria neto, dessa vez? “ah, ma cheê, otra menina”, logo disparava, com seu sotaque italiano, bem carregado, enquanto tirava o bebê dos braços de minha mãe, ajudando-a, ainda, com malas e sacolas. Tinhamos que dar a volta no terreiro de secar café, e entrar na casa pela porta da cozinha, pois, nunca descobri porquê, a porta da sala ficava sempre fechada. Na verdade, era um cômodo morto, guardando apenas uma escrivaninha antiga do meu tio Gracindo, toda empoeirada. A vida acontecia mesmo, era na cozinha. A nossa espera, havia uma farta mesa preparada com enormes pães caseiros, manteiga cremosa, feita com nata de leite fresco, café, queijo, polenta e ovos fritos.
Como chegávamos mortos de fome — lembra-se do frango assado???pois é, comíamos apenas ele, durante toda a viagem, portanto, àquela hora do dia, o estômago quase se colava às costas. Eu adorava polenta com ovo frito, desde que a gema ficasse bem molinha. Comia tanto e com tanto gosto, que chegava a lambuzar a cara inteira de amarelo. Depois, ainda colocava polenta em uma caneca e a cobria com leite e café preto, e ficava tomando aquela gororoba, às colheradas. Minhas irmãs faziam mais sujeira com a comida, espalhando-a fora dos pratos e canecas, do que comendo, propriamente. Mas aquele café servido a nossa chegada, que seria repetido durante todos os dias de nossas férias, era único. “Ma che banquete, mama”, minha mãe comentava, enquanto se fartava de comer, também.
Logo, estava escuro, e as lamparinas e lampiões eram acesos, pois naquele tempo, ainda não existia luz elétrica na zona rural da região da Alta Sorocabana. Claro, uma ou outra propriedade, de gente mais abastada, já contava com esse conforto, mas não era o caso de meus avós. Havia comida farta, isso, sim, mas nenhum outro luxo. Tudo era muito modesto. Nos quartos, somente camas e criados mudos. Não havia cortinas, nem quadros, nem qualquer adorno pelas paredes ou móveis. A casa grande era nova, mas parecia mobiliada apenas com o essencial. Na porta da cozinha, havia uma varanda, com um poço, de onde se tirava a àgua para beber, dar aos animais, molhar as flores do jardim e algumas árvores mais próximas. Com a fraca luz das lamparinas iluminando seu rosto, minha mãe ainda encontrava forças para tirar alguns baldes de àgua, colocar para ferver no fogão à lenha, e só então, preparar o nosso banho. Nós ficávamos sentados no parapeito da varanda, rodeando o poço, e cantando cantigas de roda, enquanto ela enrolava a corda que puxava o balde com à àgua, cujo som estridente engrossava o nosso coro, provocado pelo contínuo movimento da manivela.
O quarto de banhos era escuro, àquela hora da noite, fracamente iluminado, e tudo o que queríamos, depois da longa viagem e do farto café, era uma cama bem quentinha. Mas minha mãe jamais nos deixava ir deitar, sem que tomassémos banho. Para falta de higiene, não havia argumentos para ela. Então, o jeito era ter juizo e obedecer-lhe, senão, ainda iríamos dormir com a “bunda quente”, como ela dizia. Eu e minha avó, ajudávamos minha mãe a banhar as meninas, enquanto o bebê dormia no quarto ao lado. Não sei quanto tempo demorávamos nesse verdadeiro ritual dos banhos, mas era frequente adormecermos dentro da tina de água morna.
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A Aracruz lidera o setor de Papel e Celulose segundo o ranking “Marcas mais valiosas do Brasil”, preparado pela consultoria BrandFinance em parceria com o jornal Gazeta Mercantil. Com a marca avaliada em mais de R$ 700 milhões, a Aracruz subiu 12 posições em relação ao estudo anterior (2006). De acordo com os organizadores da pesquisa, foi avaliada a qualidade de produtos e atendimento, o nível de comunicação com o público e com o mercado, o capital humano e intelectual, os princípios morais e governança corporativa, entre outros intangíveis. A BrandFinance também leva em consideração expectativa de lucros futuros da marca e análise de risco.
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